terça-feira, 27 de março de 2012

TRIBUTO A PASCOA 55% A MAIS NO BOLSO DO GOVERNO


27/03/2012 - 16h14

Consumidor paga até 55% em tributos em produto de Páscoa

PUBLICIDADE
DE SÃO PAULO
Consumidores que comprarem itens de Páscoa darão uma significativa contribuição aos cofres públicos. Levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) revela que a tributação em mercadorias típicas da data podem superar metade do valor da venda.
A maior incidência se dá no vinho, que carrega 54,73% de carga tributária no preço ao cliente. O peso da tributação nos ovos de chocolate e na colomba pascoal é de quase 40%. O item que apresenta a menor mordida do Leão é o buquê de flores, com carga inferior a 20%.
DICAS
A associação de consumidores Proteste alerta os consumidores a observar as embalagens com atenção, já que ovos com o mesmo número podem trazer pesos diferentes. A entidade também sugere que a troca do ovo de Páscoa por caixas de bombom e tabletes de chocolate podem trazer uma redução de até 84% nos gastos durante o período.
"A Proteste orienta a pesquisar bem antes da compra, pois até mesmo as barras de chocolates ficam mais caras nesta época do ano. A sazonalidade influencia o preço", lembra a entidade.
Carga tributária dos produtos de Páscoa:




SALÁRIO EXTRA POUCA VERGONHA DOS POLITICOS BRASILEIROS


Vida Pública

Terça-feira, 27/03/2012
BENEFÍCIOS

Comissão do Senado aprova fim de salários extras para parlamentares

Atualmente, cada parlamentar recebe R$ 53,4 mil por ano em extras, custo de R$ 4,3 milhões ao Senado. Projeto prevê que verbas para mudança e transporte só sejam pagas no início e no fim do mandato
4
27/03/2012 | 15:23 | AGÊNCIA ESTADO E AGÊNCIA BRASILatualizado em 27/03/2012 às 16:37
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (27) projeto que extingue o 14º e o 15º salários pagos aos parlamentares. Apesar do protesto de alguns senadores, todos votaram a favor do projeto da senadora licenciada e ministra-chefe da Casa Civil,Gleisi Hoffmann. Pela proposta, senadores e deputados só vão receber a chamada ajuda de custo no início e no final da legislatura, e não a cada ano, como ocorre hoje.
Atualmente, cada parlamentar recebe dois salários, de R$ 26,7 mil cada, nos meses de fevereiro e dezembro. O projeto seguirá para votação pelo plenário do Senado e, se aprovado, vai para a Câmara dos Deputados.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), relator da matéria, disse que os extras, que ele chamou de "ajuda de custo", não se justificam mais. Segundo ele, a verba começou a ser paga para custear as despesas com a mudança dos parlamentares e seus familiares para o Rio de Janeiro, antiga sede do poder Legislativo, e para Brasília, com a transferência da sede.
Lindbergh disse que, embora não concorde com setores que queiram "demonizar" os políticos, o benefício não deve ser mantido. "Não dá para explicar a um trabalhador nos estados que recebemos recebendo 14º e 15º salários", afirmou.
O senador Sérgio Souza (PMDB-PR) disse que atualmente o pagamento dessa verba não se justifica mais. "Hoje Brasília está perto de qualquer capital do Brasil".
Coube ao senador Cyro Miranda (PSDB-GO) a maior reclamação pública à proposta. Apesar de votar favoravelmente, Miranda disse ter "pena" de quem sobrevive apenas com o salário de parlamentar. Não é o caso dele, disse. "Eu tenho pena daquele que é obrigado a viver com R$ 19 mil líquidos com esta estrutura que temos aqui", criticou o senador, que é empresário com patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, em 2006, de R$ 3 milhões.
O senador Benedito de Lira (PP-AL), outro que votou favoravelmente, chegou a ironizar a proposta. Durante as discussões, ele sugeriu que, para ocupar o cargo de senador, o candidato tenha "honorabilidade".
Para dar mais "equilíbrio à discussão, a senadora Ana Amélia (PP-RS) sugeriu que fosse aprovado um projeto para proibir ministros de Estado, especialmente aqueles oriundos do Legislativo, de acumularem salário com jetons recebidos por participação em conselhos de estatais.
O senador Ivo Cassol (PP-RO), que pediu vista do projeto na semana passada, faltou à reunião. De todo modo, Cassol pediu em documento enviado a Lindbergh Farias que a verba não seja considerada salário e sim de natureza indenizatória. A modificação excluiria a regalia da incidência de imposto de renda. O relator acatou a sugestão.
Mudança e Transporte
O projeto de decreto legislativo prevê que deputados e senadores só terão direito a receber osauxílios-mudança e transporte no início e no fim do mandato parlamentar. Atualmente, os parlamentares recebem essas ajudas de custo duas vezes por ano. A matéria vai agora para a Mesa Diretora da Casa.
Por ano, o Senado gasta R$ 4,3 milhões com o pagamento dos auxílios-mudança e transportes aos 81 senadores. Ao fim do mandato de oito anos, a despesa chega a R$ 34,4 milhões. Se a matéria for aprovada no Senado e na Câmara, o gasto com mudanças dos senadores cairá para R$ 4,3 milhões.





domingo, 25 de março de 2012

Soluções combinadas para dilemas comuns


Vida e Cidadania

Domingo, 25/03/2012
AFP
AFP / Estação de captação da energia solar na Espanha: potencial do sol ainda não é utilizado em larga escalaEstação de captação da energia solar na Espanha: potencial do sol ainda não é utilizado em larga escala
ABUNDÂNCIA NO MUNDO

Soluções combinadas para dilemas comuns

A tecnologia em um planeta conectado em rede será a ferramenta para resolver os principais problemas da humanidade no futuro
5
Publicado em 25/03/2012 | OSNY TAVARES
A história da inteligência humana sugere que, de tempos em tempos, um determinado local consegue reunir um grupo de mentes extraordinárias dedicadas a uma mesma área. Dos gênios multi-ofício do Renascimento aos jovens roqueiros britânicos dos anos 1960, as revoluções tendem a ocorrer a partir da convergência de um pequeno número de talentos semelhantes. A era digital, no entanto, dificulta a repetição do fenômeno – ao menos nesses padrões.
Ainda bem. Se o século 21 nasceu debruçado sobre problemas complexos e imediatos, em compensação está habitado por bilhões de pessoas com capacidade de contribuir com ideias para a solução deles. Os desafios parecem gigantescos – e são –, mas os recursos para enfrentá-los nunca foram tão amplos. Em um livro lançado recentemente nos Estados Unidos, os autores Peter Diamandis e Steven Kotler defendem que temos potencial para resolver os principais problemas socioeconômicos da humanidade nas próximas três décadas.
Campos de estudo
Energia, água e alimento são desafios do futuro
Analistas do setor de energia gostam de lembrar que até a energia de matriz hidrelétrica é limitada. Afinal, ressaltam, não existem novos rios surgindo no planeta. Mas existe sol, e ele é para todos. A cada 88 segundos, o astro irradia 16 terawatts de energia sobre o planeta, mais do que o utilizado pela humanidade em um ano.
Somente no ano passado, foram instalados 11 mil megawatts em energia solar no mundo – praticamente uma Itaipu. “Ainda não temos tecnologia para utilizar o potencial do sol em larga escala. Mas está batendo à porta da humanidade”, garante Mauro Passos, presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal).
O suprimento de água potável descongelada, já exíguo (0,5% do total da água do planeta), está constantemente ameaçado pela poluição. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 900 milhões de pessoas não têm suprimento regular de água.
Os projetos de dessalinização ainda estão em fase inicial de experimentação, sem aplicação comercial viável. Porém o empreendedor norte-americano Dean Kamen, inventor do patinete Segway, pode ter criado uma possível solução com o seu purificador de água Slingshot. Do tamanho de um refrigerador compacto e com custo estimado de US$ 2 mil, o aparelho transforma em água potável “qualquer substância líquida”, nas palavras de seu criador. Em uma apresentação, ele inseriu a própria urina no aparelho e a bebeu. Em 2006 o aparelho foi testado e funcionou por um mês em uma vila em Honduras.
A mecanização e uso de fertilizantes na agricultura refutou o dilema malthusiano, que previa falta grave de alimentos por causa do crescimento populacional. Mas ainda existe o desafio de alimentar as 3 bilhões de novas bocas que surgirão no planeta até 2050. Nesse contexto, a biotecnologia surge como a terceira onda. “Esse movimento começou já na inseminação artificial na pecuária, e agora chega aos transgênicos”, relata João Batista Padilha, vice-diretor do Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná.
Telemedicina
Os projetos na área médica estão entre os mais arrojados. Uma organização norte-americana criou a Qualcomm Tricorder X Prize, um prêmio para quem conseguir desenvolver um aparelho do tamanho de um celular capaz de monitorar o corpo humano e diagnosticar doenças. “A telemedicina é importante em lugares onde não existem profissionais médicos, mas jamais substituirá o contato direto com o paciente”, garante o pneumologista Gerson Zafalon, coordenador da Câmara Técnica de Telemedicina do Conselho Federal de Medicina. (OT)
Interatividade
Qual das quatro forças citadas no livro será mais decisiva para o futuro da humanidade?
As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.
O livro Abundance: The Future is Better than you Think (Abundância: o futuro será melhor do que você pensa, em tradução livre), ainda sem previsão de publicação no Brasil, aponta o desenvolvimento tecnológico como a ferramenta libertadora. Potencializada pelas bilhões de mentes integradas pela internet, argumentam os autores, ela será capaz de ajudar a humanidade a descobrir como suprir as necessidades materiais de cada homem, mulher e criança do planeta Terra.
As projeções científicas demonstram que estamos próximos da saturação de recursos como água e energia, enquanto outros como alimentos, medicina e educação não conseguem chegar à maioria da população mundial. Diamandis e Kotler listam quatro forças que, atuando juntas, poderão equalizar esse desequilíbrio. Elas já existem e, ao longo dos próximos anos, se integrarão cada vez mais.
Lei de Moore
A primeira delas é o próprio crescimento exponencial da tecnologia. Em 1965, o executivo Gordon Moore, então presidente da Intel, previu que o número de semicondutores em um computador dobraria a cada 18 meses. A declaração acertada ganhou peso e ficou conhecida como a Lei de Moore, capaz de explicar porque o celular no seu bolso é um milhão de vezes mais barato e mil vezes mais rápido que um supercomputador dos anos 70, além de outras inovações. Inteligência artificial, robótica e biologia sintética seguem o mesmo padrão.
A segunda força é representada pelos empreendedores estilo faça-você-mesmo. São, em sua maioria, jovens que nasceram imersos na era da informação. A falta de barreiras para o conhecimento estimula a adoção de objetivos arrojados. “É uma geração de proativos com a ambição de ser em protagonistas de seu tempo”, avalia Genésio Gomes, doutor em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Pernam­buco e professor de cultura empreendedora.
Se bem-sucedidos, os integrantes desta segunda força migram para a terceira. São os tecnofilantropos, capazes de financiar pesquisas de ponta. Os milionários da internet costumam se encaixar nesse grupo. Sergey Brin, do Google, apoia pesquisas na área médica. Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, criou uma fundação para suporte educacional. Bill Gates ataca a pobreza em diversas frentes – de recursos para agricultura a bibliotecas.
A quarta força é responsável por fazer as outras três ganharem escala. Os autores a chamam de “os bilhões ascendentes”, referindo-se às pessoas que entrarão pela primeira vez na internet nas próximas décadas. Em 2010, havia 2 bilhões de pessoas conectadas (23% da população mundial). Daqui a dez anos, serão 5 bilhões (66% da população).
“Três bilhões de vozes que jamais foram ouvidas se integrarão ao debate global”, anima-se Diamandis, gestor de uma organização dedicada a premiar ideias inovadoras nos Estados Unidos, em conferência publicada em vídeo na internet. O colega Steven Kotler complementa: “Se o mundo não estiver junto para resolver os problemas, estamos todos desperdiçando o nosso tempo”.
“Escassez depende do contexto”, diz autor
A ideia de crescimento exponencial não é nova, nem está relacionada exclusivamente à computação. A trajetória do século 20 de­­monstra ganhos significativos em diversas áreas, superando numericamente – por larga vantagem – os avanços dos séculos anteriores. Enquanto a expectativa de vida dobrou, a renda média triplicou e o analfabetismo despencou de 75% para 20% no mundo.
As áreas relacionadas à tecnologia foram as que realmente evoluíram mais rápido. Um aldeão africano tem uma conexão de celular melhor que a do ex-presidente Ro­­nald Reagan (1981-1989). Se usá-lo para acessar a internet, terá uma conexão melhor que a disponibilizada no governo Clinton (1993-2000). Esse avanço puxa tudo o que usa a tecnologia como ferramenta – da agricultura à medicina.
No livro The Rational Optimist (O Otimista Racional, em tradução li­­vre), o escritor britânico Matt Ri­­dley lembra que estamos constantemente redefinindo o conceito de pobreza – sempre para cima. Nos EUA, 99% das pessoas abaixo da linha de pobreza têm ele­­tricidade, geladeira, água e es­­go­­to, algo que seria considerado um luxo mesmo para pessoas com boa renda na metade do século passado.
“A escassez é contextual”, defende Peter Diamandis, um dos autores do livro Abundance, projetando que no futuro os temores sobre o suprimento de água, energia elétrica e alimentos serão motivo de piada. Ele lembra que o alumínio era um metal mais precioso que o ouro, porque era raro de ser encontrado em estado natural. Hoje se transformou em um metal banal.