sábado, 22 de novembro de 2014

AGENTE DE TRÂNSITO DE CURITIBA

Aniele Nascimento/Gazeta do Povo / Agentes da Setran informam de duas a três agressões por mês vindas de motoristas autuados Agentes da Setran informam de duas a três agressões por mês vindas de motoristas autuadosComportamento

“Xingamento é o bom dia” dado aos agentes de trânsito

Profissionais convivem com agressões físicas e verbais de motoristas que são flagrados em ações irregulares nas ruas
Publicado em 23/11/2014 |
A cena era trivial: dois carros haviam se envolvido em um acidente e um dos motoristas acenou para a o agente de trânsito que passava pelo local. João* estacionou e foi prestar o atendimento de praxe: pediu documentos do carro e carteiras de habilitação. Aí começou o problema. Um dos motoristas era policial militar e alegou que João não teria “competência” para pedir esses documentos, e que, caso insistisse, seria preso.
Foi o que aconteceu. “Quatro viaturas vieram para me conduzir até à delegacia”, lembra o agente. O policial ainda tentou processá-lo por abuso de autoridade, mas perdeu a ação. Apesar de o caso ter ocorrido há três anos, o agente ainda processa o Estado por danos morais. Nenhuma decisão foi proferida.
‘Carteirada’ é aspecto cultural do brasileiro
Uma oposição ao “jeitinho cordial” do brasileiro foi construída pelo sociólogo Roberto DaMatta. Em seu livro Carnavais, malandros e heróis, de 1997, ele lembra que o “sabe com quem está falando?” não é motivo de orgulho para ninguém. Para DaMatta, além da antipatia da expressão, ela esconde a nossa própria imagem e revela um aspecto dos mais hipócritas sobre a demonstração de violentos preconceitos.
A psicóloga Julieta Arsênio, especialista em Comportamento de Trânsito e diretora do Departamento de Crimes de Trânsito e Perícias da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), lembra do caso ocorrido no Rio de Janeiro, em que uma agente foi condenada a pagar R$ 5 mil de indenização a um juiz que dirigia sem habilitação, num carro sem placas e sem documentos.
A agente carioca Luciana Silva Tamburini flagrou o juiz João Carlos de Souza Correa. Como resposta à reação dele, Luciana disse que o juiz não era Deus. A indignação popular com a condenação levou à formação de uma “vaquinha” para ajudar a agente a reunir o dinheiro.
“O condutor infrator, além de impor sua posição profissional, ainda recorre a experiências já vivenciadas ou relatadas por amigos, simula comportamentos não cabíveis a um magistrado. Nesse caso, ele impôs seu status e ainda deu voz de prisão a alguém que estava apenas cumprindo seu dever”, observa.
Para ela, o uso dessa relação de poder para tentar escapar de uma punição ainda é comum. “Enquanto tivermos pessoas com o perfil ‘sabe com quem está falando’ o nosso trânsito continuará sendo considerado um dos maiores genocídios humanos, num século em que o desenvolvimento tecnológico avança a cada dia e o homem se mantém inerte”, avalia.
Orientação
Principal reclamação é a falta de “conversa” antes da autuação
É quase unanimidade entre os motoristas o argumento de que “só estava ali esperando uma pessoa” ou “estava dentro do carro, ele poderia conversar antes de multar”. No entanto, a legislação de trânsito não faz qualquer menção a diálogo antes de se lavrar uma autuação. “Se você tem carteira de habilitação, tem autorização para dirigir um veículo e a obrigação de conhecer a legislação de trânsito”, argumenta Eder Rodrigues, diretor de fiscalização da Setran.
Os agentes são preparados para aplicar o Código Brasileiro de Trânsito. A Setran, por sua vez, promove cursos de atualização e requalificação, incluindo abordagem social, que prepara o agente para atuar em situações que fogem da rotina. “Muitas pessoas não aceitam que se aplique a lei para elas. Elas querem a lei para os outros. Quando são enquadradas, ficam indignadas, questionam o agente de trânsito de forma grosseira, com ameaças e coação”, diz.
Para Rodrigues e também para o agente João*, a confusão feita pelos motoristas que insistem na tese da ‘conversa’ foi causada no início da fiscalização da Diretran, quando havia indicação de reforço na orientação. Atualmente, a conversa depende do bom senso do agente, mas ele não pode se furtar de aplicar uma autuação ao ver a infração – se não o fizer, o erro passa a ser dele. Além disso, o motorista que se sentir injustiçado pode recorrer da multa em uma junta específica.
Quatro mil é o número de pedidos de fiscalização que a Setran recebe a cada mês, feitos pela população da capital. Elas se somam às atividades regulares do efetivo da Secretaria de Trânsito. “Temos dificuldade de estar sempre presentes, nos desdobramos para atender as ocorrências”, diz Eder Rodrigues, diretor responsável pela fiscalização.
O caso é um retrato extremo mas não raro do que acontece aos agentes de trânsito na capital. Curitiba tem 355 profissionais. A cada mês, dois a três relatos de agressões mais contundentes chegam ao setor de gestão de pessoas. Em 2014, até a última semana foram 23 relatos de agressão.
Um caso grave ainda está sob investigação: um agente de trânsito foi assassinado, em agosto, enquanto trabalhava no bairro Cidade Industrial de Curitiba. Rinaldo Lopes, de 50 anos, levou um tiro dentro da própria viatura. Ele atendia a um pedido de verificação de estacionamento irregular quando foi abordado por dois homens que estavam em uma moto e efetuaram o disparo.
Segundo João, xingamentos são constantes. “FDP é como bom dia. Você tem que se acostumar”, desabafa. Já os casos em que há violência física são mais raros, mas ainda assim ocorrem. Em meados dos anos 2000, uma agente que fiscalizava o Estacionamento Regulamentado (EstaR) apanhou de um juiz.
Por isso, desde a época da Diretran existe o Grupo Anjo, formado pelos próprios funcionários, que tem como objetivo apoiá-los e orientar nos casos em que há necessidade de registro de boletim de ocorrência ou até mesmo de ações judiciais.
Arrogância
Ele conta que o “você sabe com quem está falando” é usado indistintamente, mas há “tipos” que tentam se valer da posição ou profissão com mais frequência. Além de pessoas que aparentam alto poder aquisitivo, estão na lista profissionais do Direito de modo geral, policiais, padres, pastores e políticos, que além de tentar se livrar de eventuais multas, também invocam sua base de votos.
O modo de atuação inclui a tradicional ‘carteirada’, até reclamações em sermões de missas – uma vez que carros estacionados em cima da calçada são multados, incluindo os que estão atrapalhando os pedestres na frente de igrejas. Há quem ligue para secretários de estado e diretores de trânsito, e os que fazem discursos inflamados contra os agentes no plenário de casas legislativas.
Recentemente, outro problema enfrentado pelos agentes está ligado à ação de criminosos, que intimidam e até impedem a entrada dos profissionais em determinadas comunidades.
“Apesar da fama de arrogantes ou prepotentes, os agentes têm de ter calma para lidar com isso. Estamos fazendo o nosso trabalho e cumprindo a lei. É meu dever autuar uma irregularidade, não há outra possibilidade”, diz João*.
Mais agentes
Os 355 agentes da Setran estão divididos em duas unidades, de fiscalização e estacionamento rotativo. O esquema de trabalho tem sete turnos. O problema é a quantidade de profissionais. Uma recomendação do Denatran diz que deve haver um agente para cada mil veículos. Curitiba, que possui uma das maiores frotas do Brasil, precisaria de 1.355 agentes
*Nome fictício

segunda-feira, 7 de abril de 2014

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sexta-feira, 28 de março de 2014

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A Nova e as Antigas Arenas do Furacão.

Restrita a 10 mil torcedores, sem imprensa e ainda com um mês e meio de obras pela frente, a Arena da Baixada será reaberta amanhã, 846 dias após a sua último partida oficial e na semana do aniversário de 90 anos do clube. Página especial traz detalhes sobre a nova fase do estádio e relembra a história do Caldeirão. Veja abaixo!
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quarta-feira, 26 de março de 2014

PARABÉNS GRANDE TIME FURACÃO

Rubro-Negro comemora aniversário nesta quarta-feira. Nove listas traçam um painel que retrata a história do Furacão. Veja ainda depoimentos de ídolos rubro-negros, wallpapers especiais e fotos marcantes
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terça-feira, 4 de março de 2014

Em 2026, os carros serão autônomos, prevê estudo americano.

Em 2026, os carros serão autônomos, prevê estudo americano

03/03/2014 - 20h32
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DE SÃO PAULO

Ouvir o texto
Atualmente carros mais sofisticados já são capazes de frear sozinhos, caso sensores detectem que há risco de acidente à frente e o condutor não esboçou reação. Outra nova tecnologia que começa a se difundir: o assistente de direção. O sistema é capaz de fazer correções no ângulo de esterço do volante, mantendo o automóvel automaticamente em sua faixa de rolamento.
Isso é apenas uma ponte para a popularização do veículo totalmente autônomo. Segundo estudo do banco Morgan Stanley, a partir de 2026, os carros novos serão conectados entre si e comandados por uma central "hi-tech" de trânsito. Dessa forma, poderão transitar sozinhos, bastando ao condutor digitar o destino no painel.
Editoria de arte/folhapress
Segundo montadoras, os primeiros carros autônomos chegarão ao mercado na virada da década. O primeiro grande teste ocorrerá durante as Olimpíadas de Tokyo, em 2020. A cidade japonesa promete construir toda a estrutura para poder receber a novidade.
A principal razão para a criação do carro autônomo é a redução do número de acidentes. Com o tráfego integrado e inteligente, não haverá batidas entre os automóveis ou derrapagens por excesso de velocidade nem a necessidade de semáforos em cruzamentos sem travessia de pedestres. O fluxo do trânsito também melhoraria. Tudo isso, segundo o Morgan Stanley, pouparia por ano US$ 5,6 trilhões (cerca de R$ 13 trilhões) ao mundo.
A Folha, no ano passado, testou nos EUA um Nissan Leaf autônomo em pista fechada.

domingo, 8 de dezembro de 2013

MÃE EXCESISVAMENTE CARINHOSA PREJUDICAM OS FILHOS SEM PERCEBER?

Mães excessivamente carinhosas prejudicam os filhos sem perceber

Heloísa Noronha
Do UOL, em São Paulo
  • Orlando/UOL
    Mães excessivamente carinhosas e atenciosas podem provocar abalos na autoestima das crianças, assim como as que são o oposto disso
    Mães excessivamente carinhosas e atenciosas podem provocar abalos na autoestima das crianças, assim como as que são o oposto disso
Não é à toa que, nos processos de terapia, a culpa de muitos problemas do paciente recai sobre a mãe. "Eu costumo brincar que toda mãe é uma espécie de balcão de reclamações", diz a psicóloga Maria Lúcia de Souza Campos Paiva, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).

"Porém, é impossível desprezar o fato de que a mãe é a principal responsável pela concepção psíquica do filho. Ela é o primeiro objeto de amor da criança, o primeiro vínculo estabelecido. A mãe é quem abre espaço para a relação entre o pai e a criança existir. É a mãe quem nos apresenta o mundo", afirma Maria Lúcia.
Ao longo da vida, estabelecemos outras relações importantes –com os demais membros da família, cuidadores, professores, amigos. Esses laços e o ambiente que nos cerca também são referências fundamentais na vida, mas o vínculo com a mãe é o que desempenha o papel principal no nosso desenvolvimento, principalmente nos primeiros anos da infância e, posteriormente, na adolescência. E a dose de afeto que recebemos sugere o caminho que vamos trilhar.

Afeto na medida certa

A maneira de demonstrar afeto varia de pessoa para pessoa e, portanto, de mãe para mãe. Algumas são mais carinhosas e chegadas a beijos e abraços. Outras preferem ensinar as coisas, e há aquelas que têm um senso prático aguçado, concentrando maiores esforços nos cuidados com a alimentação e vida escolar, por exemplo. Mas o quê, de fato, uma criança precisa para crescer se sentindo valorizada, amada e querida?
Cada criança também tem sua própria maneira de se relacionar com a mãe. O que serve para certas pessoas nem sempre servem para outras, basta observar mães que têm vários filhos. Uns são melosos e querem ficar grudados o tempo todo, outros são mais independentes. "Em relação às mães, é a mesma coisa. Não existe um modelo materno ideal que gera crianças mais felizes", diz a psicóloga Cecilia Russo Troiano, autora de "Vida de Equilibrista – Dores e Delícias da Mãe que Trabalha" (Ed. Pensamento).

Seja através de um abraço, do olhar, da presença física ou não, o que importa é o filho se sentir cuidado e amado. Ele precisa ter a segurança do afeto da mãe, mesmo que ele seja expresso de maneiras distintas e que atenda a criança em suas necessidades emocionais. E a criança sabe decodificar o afeto, afinal, ele a conhece desde que nasceu. "Quando crescer, saberá demonstrar afetividade e recebê-la", fala Cecilia.

Segundo especialistas em desenvolvimento infantil, a criança não quer uma mãe ausente, mas não deseja uma mãe presente o tempo todo. Os movimentos maternos de ir e vir, sair e voltar, são positivos. "É ilusão nossa achar que apenas a presença faz bem. O que é ruim é a ausência absoluta ou uma falsa presença, quando a mãe está próxima, mas não fica conectada ao filho", conta Cecilia.

A psicóloga Magdalena Ramos, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e autora do livro "E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos" (Ed. Ágora), fala que existem mães que querem forçar a própria presença quando ela não é necessária. "São aquelas que se dispõem a fazer tudo pelo filho, em vez de ensiná-lo a amarrar um cadarço, por exemplo. No futuro ele será um adulto inseguro, que sempre vai esperar que os outros resolvam tudo por ele", conta.

O importante é equilibrar. Os extremos –a falta e o excesso de carinho e atenção– é que são perigosos, pois podem provocar abalos na autoestima que transformam as crianças em adultos inseguros, tímidos, com dificuldade para confiar em si mesmos e nos outros.
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Famosos e anônimos definem o que é uma família feliz33 fotos

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Como é uma família perfeita e feliz? Anônimos e famosos dizem como é a família dos sonhos. Por Simone Cunha, do UOL, em São Paulo Montagem UOL/divulgação

Perdoar é necessário

Quem se dá conta, já adulto, que o relacionamento com a mãe contribuiu de alguma forma para escolhas insensatas ou determinadas dificuldades precisa aprender a reescrever sua história. O passado, óbvio, não pode ser mudado, mas é possível modificar o peso dado a certos acontecimentos (uma bronca mais incisiva, palavras rudes, falta de apoio num momento crucial etc.), perdoar e seguir adiante.

"As mães erram tentando acertar e muitas reproduzem os comportamentos que aprenderam com as próprias mães, pois os julgavam os melhores", diz Magdalena Ramos.
Embora hoje as mulheres estejam adiando cada vez mais a maternidade, boa parte delas mantém um relacionamento mais aberto e dinâmico com seus filhos. Sobre o que será, então, que essas crianças vão reclamar nos consultórios dos psicólogos, daqui a alguns anos? Difícil prever, mas a psicóloga Maria Lúcia Paiva, da USP, declara que a maioria das mães contemporâneas sofre de um terrível mal: a culpa.

Ela acomete não só as que trabalham fora, e acham que negligenciam os filhos, como também as que decidiram abandonar o emprego e ficar em casa, e vivem sob a sombra da dúvida se tomaram a decisão certa para todos.

"Nunca é demais repetir que o mais importante não é a quantidade de tempo dedicada à criança, mas a qualidade. Eles percebem e valorizam isso", diz a pediatra e psicanalista Miriam Ribeiro de Faria Silveira, membro da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).
Para Miriam, apesar da culpa, as mães modernas contam com um recurso muito importante e que faz toda a diferença na relação e no afeto: o diálogo. "Justamente por não se sentirem infalíveis nem donas da verdade, elas se sentem à vontade para pedir desculpas por eventuais erros no meio do caminho e recomeçar", diz. Ao se mostrarem humanas, se aproximam ainda mais dos filhos, que certamente não devem desperdiçar o exemplo.
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